Disseram que o fantasma dele ainda vivia na memória dela, mesmo depois de muito tempo. Seu corpo havia sido enterrado a quilômetros e todas as suas coisas foram queimadas. “A liberdade foi tão efêmera” suspirou Eleonora. A morte dele foi como o efeito passageiro de uma droga que a permitiu sentir-se livre pela primeira vez em anos. Mas a rotina voltou. Não estava morto em seus pensamentos. Enquanto alguém soubesse seu nome, ele ainda vivia. O nome fora proibido de ser dito! Sua lembrança era como uma chama bruxuleante que renascia como uma fogueira toda vez que alguém o mencionava. Suicídio? Sim, ela pensou. Mas não teria solução. Ele agora vivia nos dois mundos ao mesmo tempo! Não havia para onde ir. A morte não o apagará e a vida ainda lhe trazia, tarde da noite, para lhe dizer:
- Boa noite...
