sexta-feira, 13 de junho de 2008

Eleonora

Disseram que o fantasma dele ainda vivia na memória dela, mesmo depois de muito tempo. Seu corpo havia sido enterrado a quilômetros e todas as suas coisas foram queimadas. “A liberdade foi tão efêmera” suspirou Eleonora. A morte dele foi como o efeito passageiro de uma droga que a permitiu sentir-se livre pela primeira vez em anos. Mas a rotina voltou. Não estava morto em seus pensamentos. Enquanto alguém soubesse seu nome, ele ainda vivia. O nome fora proibido de ser dito! Sua lembrança era como uma chama bruxuleante que renascia como uma fogueira toda vez que alguém o mencionava. Suicídio? Sim, ela pensou. Mas não teria solução. Ele agora vivia nos dois mundos ao mesmo tempo! Não havia para onde ir. A morte não o apagará e a vida ainda lhe trazia, tarde da noite, para lhe dizer:

- Boa noite...

3 comentários:

Thiago Yaagob disse...

Tenho um passado presente em minha vida.
Estou tentando libertar-me.
Não posso viver em dois mundos.
É complicado. É possível, mas não tenho forças pra isso.

Responderei: Bom dia!

CoisasDePrata disse...

Lindo!

Unknown disse...

boa noite =]